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O Silêncio de um Gigante que Grita no Vazio

O Silêncio de um Gigante que Grita no Vazio | Crônica Vascaína

O Silêncio de um Gigante que Grita no Vazio

Uma crônica de quem ama o Vasco e não se cala
Por Torcedor Vascaíno · 5 min de leitura

Eu acordei hoje com o sol nascendo sobre o rio, e a primeira coisa que vi não foi a paisagem — foi o espelho da minha própria agonia. Sou vascaíno, e isso não é um hobby, é uma sentença. Estamos em junho, o campeonato já ronca lá fora, e o meu clube, o meu amor, parece um navio à deriva sem capitão, sem bússola, sem vento. Onde está o técnico? Someu-se. O patrocinador? Virou fumaça. O investidor? Não assinou. O sócio que um dia prometeu salvar a pátria? Calou-se. E eu, torcedor, fico aqui, olhando para as águas tranquilas enquanto o coração treme feito motor de fusca velho.

Não é falta de notícia, é excesso de desespero. Tem reunião na sexta-feira, mas reunião para quê? Para os conselheiros se olharem nos olhos e trocarem acusações? Para cobrarem o presidente de ontem, enquanto esquecem que amanhã podem estar no lugar dele? A política do Vasco não é um jogo de xadrez — é uma briga de rua onde cada um puxa o tapete do outro, e quem cai leva o clube junto. Eu vi isso antes, vocês viram também. A união que existe entre eles é a união do "cada um por si", e o resto que se dane.

"O pior: eu não consigo mais distinguir o verdadeiro do falso. Acusações voam soltas, mas eu já vi o estrago que uma mentira pode fazer."

E o pior: eu não consigo mais distinguir o verdadeiro do falso. Acusações voam soltas, mas eu já vi o estrago que uma mentira pode fazer. Já vi gente ser apedrejada na praça pública com provas que depois viraram pó. Não estou dizendo que o meu clube é inocente — longe de mim ser ingênuo. Mas eu pergunto: será que ninguém pensa naqueles que amam o Vasco de verdade? Nas 20 milhões de almas que não têm poder, não têm voz, não têm cadeira, mas têm o suor da arquibancada e o grito rouco nas noites de derrota?

Domingo, vi gente protestando em São Januário. E eu, daqui do outro lado do mundo, bati palmas. Porque protestar não é trair — é exigir. É dizer: "Chega". Chega de nos tratarem como telespectadores de uma novela que só interessa a quem ganha dinheiro com o caos. O técnico não chega, o dinheiro não vem, e dia 16 de julho o campeonato volta. Nós, na zona de rebaixamento. Sem técnico. Sem reforço. Sem rumo. E a doutora que assumiu interinamente? Acho que ela tem boa intenção, mas boa intenção não segura um time que cai.

Eu olho para trás e lembro de times que fizeram a minha pele arrepia. Gerações que não são só nomes em uma placa — são a razão pela qual eu acordo todos os dias e ainda digo "Vasco". Mas esses tempos parecem um sonho de um passado que não volta. E o presente? O presente é um silêncio ensurdecedor. Não há plano. Não há projeto. Há apenas a roda-viva dos que querem mandar, não para vencer, mas para ficar. É isso? É isso que a gente merece?

Não, não merecemos. Então, sexta-feira que vem, eu não estarei lá, mas o meu grito vai. E se for preciso, eu grito daqui, do meu rio, do meu exílio, porque enquanto houver um vascaíno com pulmão, vai haver resistência. O gigante não morre — mas ele está doente, e quem deveria curá-lo está, na verdade, é fodendo com o tratamento. Chega. Eu não quero mais ser lembrado por sofrer. Eu quero ser lembrado por vibrar. E, por favor, que o futebol e o amor nos devolvam isso antes que o relógio bata o último minuto.

E você, torcedor? Deixe sua opinião sobre este momento.

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